26 abril 2014

[Resenha] Eleanor & Park - Rainbow Rowell

rainbow rowell
Título: Eleanor & Park
Autora: Rainbow Rowell
Editora: Novo Século
Gênero: Romance/Literatura Estrangeira
Sinopse: Eleanor & Park é engraçado, triste, sarcástico, sincero e, acima de tudo, geek. Os personagens que dão título ao livro são dois jovens vizinhos de dezesseis anos. Park, descendente de coreanos e apaixonado por música e quadrinhos, não chega exatamente a ser popular, mas consegue não ser incomodado pelos colegas de escola. Eleanor, ruiva, sempre vestida com roupas estranhas e “grande” (ela pensa em si própria como gorda), é a filha mais velha de uma problemática família. Os dois se encontram no ônibus escolar todos os dias. Apesar de uma certa relutância no início, começam a conversar, enquanto dividem os quadrinhos de X-Men e Watchmen. E nem a tiração de sarro dos amigos e a desaprovação da família impede que Eleanor e Park se apaixonem, ao som de The Cure e Smiths. Esta é uma história sobre o primeiro amor, sobre como ele é invariavelmente intenso e quase sempre fadado a quebrar corações. Um amor que faz você se sentir desesperado e esperançoso ao mesmo tempo.
Sou dessas que gostam de livros únicos e acabados. Leio séries, mas prefiro aquelas que fecham cada um dos livros. Mas essa foi uma das pouquíssimas vezes que eu desejei uma continuação. Não me bastavam mais alguns capítulos, um epílogo ou um conto extra. Eu terminei na expectativa de entrar no Google e encontrar algum comunicado de que haveria um volume 2, mas infelizmente não achei nada. Eleanor & Park foi uma experiência sensacional.

Já começo dizendo que nada do que eu escrever vai chegar perto do que eu senti lendo. E não sei nem se vou conseguir explicar por que eu gostei tanto, é o tipo de coisa tão pessoal que não é fácil compartilhar. Mas de alguma forma intensa essa história me tocou, e acho muito curioso perceber que teve gente que leu e  simplesmente não gostou. Aaaaah, Rainbow! Ainda bem que você escreveu isso e me garantiu uma tarde e uma manhã deliciosas!

1986.

Eleanor é a aluna nova, sem lugar no ônibus para se sentar. Ruiva, cacheada, com roupas esquisitas e descombinantes. O tipo de aluna que chama a atenção de cara - e não é de uma maneira positiva.

Eleanor tinha razão. Não tinha boa aparência. Era como uma obra de arte, e arte não deve ter boa aparência, mas sim fazer a gente sentir alguma coisa.

Compreendeu por que Eleanor se esforçava tanto para parecer diferente. Ou quase. Era porque ela era diferente, e porque queria ser. E porque não tinha medo de ser. (Ou talvez tivesse mais medo de ser como os demais.)

Park não é O cara popular no colégio, mas tem prestígio suficiente pra não ser atacado pelos "espertalhões". Um nerd com fascínio por gibis, o único asiático do bairro.

Eis que uma sequência de fatores levam Eleanor a se sentar no mesmo banco do ônibus que Park. Ele a olha com estranheza, a ignora, prefere manter distância mesmo com a proximidade física. Mas, com o passar dos dias, gibis e músicas aproximam os dois, e surge a beleza e inocência do primeiro amor.


Talvez eu não sinta atração por meninas de verdade, pensou ele na época. Talvez eu seja uma espécie de tarado por gibis. Ou talvez, pensou ele mais tarde, ele não reconhecesse todas as outras garotas. Do mesmo jeito que um computador cospe fora um disquete se não lhe reconhecer o formato.
Quando tocou a mão de Eleanor, ele a reconheceu. Ele soube.

O livro nos mostra a realidade familiar de Park e, paralelamente, os conflitos que Eleanor vive em sua casa. O momento das idas e vindas no ônibus são inicialmente uma tortura, depois se tornam uma troca de experiências e leituras e mais pra frente fazem desabrochar um sentimento lindo e puro entre dois adolescentes.

Como já disse, a história é ambientada em 1986, então vemos HQs de heróis recém-lançadas e fitas cassete. É um período ao qual não estamos muito acostumados - ou lemos histórias atuais ou de época, e foi bem bacana ler sobre um tempo não tão distante, mas no qual a tecnologia ainda não estava tão presente. Nada de celulares ou computadores; nem tinha telefone na casa da Eleanor! Talvez por esse motivo a história foi mais gostosa, sendo construída vagarosamente, de forma a nos inserir no mundo e na mente dos personagens.

É um paradoxo... Tudo foi muito bem detalhado, a trama parecia avançar a passos de tartaruga. Mas, quando me dei conta, já estava quase na página 100 sem perceber que já tinha virado tanta folha. É o poder de prisão que uma boa história, por mais boba que possa parecer, causa no leitor que se permite viver.

Uma comparação tosca, mas que talvez exemplifique o que estou falando. Sabe bala Fruittella oval, aquela que é dura, mas gostosa demais? Não dá pra morder, não tem recheio mole dentro. Ou você degusta devagar, apurando o paladar pra perceber a delícia que ela é, ou você morde e acaba com todo o prazer que a bala poderia oferecer. Rainbow escolheu a 1ª opção, ainda bem!

A gente acha que abraçar uma pessoa com força vai trazê-la mais para perto. Pensamos que, se a abraçarmos com muita força, vamos senti-la, incorporada em nós, quando estivermos longe. Toda vez que Eleanor ficava longe de Park, sentia sua perda.

O drama que Eleanor vive em sua família é emocionante. Não tem como ficar indiferente aos fatos ocorridos em sua casa, não tem como não se envolver com os sentimentos que a invadem. Só pra você ter uma ideia: a mais velha de 5 irmãos, pais separados, padrasto bêbado.

Em tempos de boom de livros eróticos e sensualidade esfregada na cara, Eleanor e Park vem com uma sutileza ímpar. É a descoberta do tocar, dar as mãos, ouvir a voz, se alegrar com a presença. E a transformação que o amor causa, capaz de quebrar barreiras internas, familiares, preconceituosas... Mas eu tô muito filosófica!!!

A narração é em 3ª pessoa, mas divide o foco entre os dois protagonistas, o que deixa a história bem dinâmica. É possível saber o que eles sentem, pensam e anseiam, mas da visão de fora. Ganhou muitos pontos comigo.

Eu sou fã declarada do "menos é mais", então claaaaro que amei a capa. E a Novo Século ainda mandou pros parceiros uma camisa linda com esse desenho. <3 E surpreendentemente a revisão ficou boa. A editora não tem um histórico muito bom, mas dessa vez acertou.

Espero, do fundo do coração, que outros títulos da autora sejam lançados por aqui. Se ela conseguir ser tão boa quanto nesse livro, provavelmente entrará na lista de autores preferidos.

Ficou curioso pra ler? Já leu e acha que eu exagerei ou concorda comigo?

Beijinhos!

15 comentários:

  1. Jurava que esse livro fosse mais simples e mais "bobinho", mas estou bem impressionada com a sua resenha.
    Acho que o que mais gosto são essas reflexões que a trama proporcionada ao leitor. Gosto muito de histórias que envolvem famílias e seus dramas. E aqui temos isso de sobra!!
    Os personagens parecem muito cativantes, assim como a narrativa.
    E a capa é simples, porém muito bonitinha.
    bjs

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  2. a cada resenha que leio sobre esse livro me apaixono, ele está virando meu queridinho!
    não acho que exagerou, sempre que leio uma resenha desse livro todos ficam derretidos pela singela e forte relação de Eleanor e Parks
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  3. Oie flor!! estou louca pra ler esse livro!!!! Só vejo resenhas positivas. É como você disse em uma época que os livros eróticos estão em alta ( e eu gosto deles hahaha) é bom ler uma história que fale realmente de um amor puro, capaz de transformar pessoas. Uma coisa que me chama atenção nesse livro é a época que ele se passa: 1986, apesar de não ter vivido nessa época, acredito que ler a história é uma grande retomada no tempo, é viver a cultura de alguns anos atrás. Gibis e músicas: amooooo!♥ Eu sempre falo que a música corre em minhas veias, quando estou feliz, deprimida, triste, chorando, estressada, eu sempre recorro a música, é uma terapia pra mim. Gibis... Sempre gostei bastante, lembro que na escola na hora das aulas de matemáticas, lá estava eu lendo gibi escondido. heheheeh Outro fator que me deixa curiosa pra ler essa obra é o fato de mostrar a Eleanor vivendo em uma família desestruturada, ela ser diferente e tals. Enfim, espero poder ler essa obra muito em breve! Sua resenha ficou maravilhosa!!!

    Beijos!

    Meu Diário

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  4. Gostei da ideia do livro por mostrar um relacionamento com um nerd, geek ou coisa assim, geralmente eles são tidos como os excluídos de círculos sociais e sem muita afeição, e esse vem exatamente mostrar que são pessoas comuns e de sentimentos apaixonáveis

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  5. Oie Giulia ;)
    Já li algumas resenhas desse livro e a sua só veio praconfirmar que preciso ter esse livro. A capa é linda e a leitura saborosa segundo tuas palavras - amei a comparação com a bala bem conheço r gosto dela rs - quero me deliciar com essa leitura e vou gostar de ler sobre um mundo diferente do nosso atual - gente sem celeluar oO - e que bom que o livro é tão gostoso a ponto de querer continuação. Penso que alguns livros não marcem e outros sim. Tô ansiosa aqui.
    Beliscões da Máh♥
    BlogInstagram

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  6. Nossa Giulia, que resenha de tirar o fôlego. Todos os meus amigos que leram esse livro amaram demais e até agora não sei por que estou resistindo a ele.. hehe Beijos, Mi

    www.recantodami.com

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  7. Oi Giulia! Só pela história se passar em 1986 eu já adicionei o livro aos meus desejados, vivi minha infância nessa época e quero matar as saudades. Além disso, adoro narração em 3ª pessoa dividida entre os protagonistas, acho até mais íntimo que em 1ª pessoa. É uma delícia quando nos apaixonamos por um autor logo no 1º livro que lemos dele, tomara que aconteça comigo também =)
    Beijos... Elis Culceag. * Arquivo Passional *

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  8. Que linda a sua resenha! Se antes eu não estava interessada nesse livro agora eu quero ele para ontem, rs. Parabéns, a sua resenha ficou suave e delicada sabe, da para ver que vc realmente tentou transmitir tudo o que esse livro te fez sentir e isso despertou em mim curiosidade sobre a obra.

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  9. Oi Giulia, este na verdade não me interessou muito.
    Bjs, Rose

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  10. Giulia, minha linda, fiquei curiosa sim! Q delicia de resenha! É o meu estilo tb: um enfoque do amor puro, q nasce desinteressado, na descoberta do outro pelo q ele é, pensa e sente. Adoro protagonistas adolescentes, fiquei encantada com suas impressões e a comparação- pertinente, tosca não! - com a Fruitella. É isso mesmo q deve ser: apreciar aos poucos.
    Adorei tb a época da narrativa pq cresci nos anos 80, vai ser fácil me identificar.
    E eu q não dei nada pela capa um tanto infantil... graças a vc agora quero o livro!

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  11. Ta aí um romance que tenho vontade de ler! Li sua resenha só meio por cima pra não "aprender" muito sobre a história. Pena que eu ainda não tive a oportunidade de ler, nenhum dos meus amigos tem esse livro e por enquanto não tenho data certa para adquiri-lo já que tenho outras prioridades (ou seja, pendências, do ano passado e algumas urgências desse ano!!!! rsrsrs). Mas parece ser uma história incrivelmente fofa, reflexiva e ambientada em uma época pouco "evoluída" mas muito gostosa da vida!

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  12. Adoro quando as resenhas tem um ♥... fico louca pra ter o livro.
    Eu já li várias coisas boas sobre este livro... vai virar filme, né?
    Adorei saber da sutileza da estória.
    O mais legal é que a estória é ambientada no ano que nasci \o/
    Adorei a resenha e já vou add o livro a minha lista.
    Bjs

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  13. Estou morrendo de vontade de ler esse livro!
    Parece ser uma ótima história, bem envolvente e tocante. Gostei da trama se passar em 1986 e não ter as influências das tecnologias de hoje, além de ser o ano em que eu nasci =)
    Narrativas em terceira pessoa são ótimas! Dá para ter o ponto de vista dos envolvidos.

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  14. Sempre vejo muitas resenhas positivas sobre este livro e tenho muita curiosidade em lê-lo também. Parece ser uma estória muito fofa mesmo, adoro romances que se iniciaram com uma amizade e fiquei curiosa para saber mais sobre a vida dos personagens. :)
    beijos

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  15. Oi Giulia, tudo bem?

    Assim como a sua, já li outras resenhas super positivas quanto a esse livro. Não sei se iria gostar, mas gostei da sinopse e da sua resenha, uma vez que fiquei curioso para saber mais sobre os personagens e sobre a trama em geral. Além disso, gostei de saber que ele não segue aquela linha já conhecida dos romances: o cara bonito (popular) ficando com uma desajeitada ou bonita (popular).

    Abraços,
    Gustavo Demétrio
    Blog Vida de Leitor

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