07 junho 2012

É Curioso # 1 - by Samantha Monteiro

Distopia

Olá, leitores!
Esse é meu primeiro post sobre curiosidades literárias. Não foi difícil encontrar um tema, já que resolvi falar sobre algo que não sai da boca do povo (ou melhor, que não sai das páginas dos blogs) que é a famosa Distopia.
Na última vez que perguntei para uma pessoa se ela sabia o que é Romance Distópico ela me respondeu que era um Romance sem tópicos, ou sem capítulos. Ok, isso serviu para me instigar a pesquisar mais e mais sobre o assunto e trazer para vocês um punhado desse pequeno apanhado.
Fotograma do filme Admirável Mundo Novo.
A Distopia é uma filosofia que apresenta através da ficção uma realidade contrária a utopia, onde mostra opressão e controle vindo de uma classe ou casta dominadora, os dominadores se utilizam de todo um aparato tecnológico para se manter como Estado ou corporação. 
Todo esse processo ocorre meio ligado à sociedade de hoje, como se as estórias distópicas fossem um reflexo de todas as nossas ações (não cuidar do planeta ou não lutar por seus direitos e deixar as figuras políticas decidirem tudo). 
As chamadas distopias podem ser entendidas filologicamente como "utopias negativas". Este neologismo foi cunhado por Gregg Webber e John Stuart Mill num discurso ao Parlamento Britânico em 1868: "É, provavelmente, demasiado elogioso chamar-lhes utópicos; deveriam em vez disso ser chamados dis-tópicos, ou caco-tópicos. O que é comumente chamado utopia é demasiado bom para ser praticável; mas o que eles parecem defender é demasiado mau para ser praticável."
Embora estejamos vivendo uma febre de Distopia essa idéia não é nova. Desde 1895 há livros com esse caráter. Trouxe para vocês uma lista apenas com os títulos mais conhecidos que com certeza você já ouviu falar de algum!
  • A Máquina do Tempo - H. G. Wells
A Máquina do Tempo: a mais espantosa das invenções, capaz de levar seu criador a uma viagem surpreendente através de milhares de anos de transformações sobre a Terra. Novos seres ocupando a superfície e as entranhas do planeta, vivendo numa incrível civilização do futuro, onde a luta pela vida é implacável. O final dos tempos e a agonia do sistema solar com o colapso de nossa estrela, prestes a explodir.
Uma história de aventura e emoções inimagináveis, esta obra também é uma reflexão sobre os valores de nossa sociedade e sobre o mundo que construímos hoje.
  • Admirável Mundo Novo - Aldous Huxley
Ano 634 d.F. (depois de Ford). O Estado científico totalitário zela por todos. Nascidos de proveta, os seres humanos (pré-condicionados) têm comportamentos (pré-estabelecidos) e ocupam lugares (pré-determinados) na sociedade: os alfa no topo da pirâmide, os ípsilons na base. A droga soma é universalmente distribuída em doses convenientes para os usuários. Família, monogamia, privacidade e pensamento criativo constituem crime. Os conceitos de "pai" e "mãe" são meramente históricos. Relacionamentos emocionais intensos ou prolongados são proibidos e considerados anormais. A promiscuidade é moralmente obrigatória e a higiene, um valor supremo. Não existe paixão nem religião. Mas Bernard Marx tem uma infelicidade doentia: acalentando um desejo não natural por solidão, não vendo mais graça nos prazeres infinitos da promiscuidade compulsória, Bernard quer se libertar. Uma visita a um dos poucos remanescentes da Reserva Selvagem, onde a vida antiga, imperfeita, subsiste, pode ser um caminho para curá-lo. Extraordinariamente profético, "Admirável mundo novo" é um dos livros mais influentes do século 20.
  • A Revolução dos Bichos - George Orwell
Escrita em plena Segunda Guerra Mundial e publicada em 1945 depois de ter sido rejeitada por várias editoras, essa pequena narrativa causou desconforto ao satirizar ferozmente a ditadura stalinista numa época em que os soviéticos ainda eram aliados do Ocidente na luta contra o eixo nazifascista. De fato, são claras as referências: o despótico Napoleão seria Stálin, o banido Bola-de-Neve seria Trotsky, e os eventos políticos ? expurgos, instituição de um estado policial, deturpação tendenciosa da História ? mimetizam os que estavam em curso na União Soviética. Com o acirramento da Guerra Fria, as mesmas razões que causaram constrangimento na época de sua publicação levaram A revolução dos bichos a ser amplamente usada pelo Ocidente nas décadas seguintes como arma ideológica contra o comunismo. O próprio Orwell, adepto do socialismo e inimigo de qualquer forma de manipulação política, sentiu-se incomodado com a utilização de sua fábula como panfleto. Depois das profundas transformações políticas que mudaram a fisionomia do planeta nas últimas décadas, a pequena obra-prima de Orwell pode ser vista sem o viés ideológico reducionista. Mais de sessenta anos depois de escrita, ela mantém o viço e o brilho de uma alegoria perene sobre as fraquezas humanas que levam à corrosão dos grandes projetos de revolução política. É irônico que o escritor, para fazer esse retrato cruel da humanidade, tenha recorrido aos animais como personagens. De certo modo, a inteligência política que humaniza seus bichos é a mesma que animaliza os homens. Escrito com perfeito domínio da narrativa, atenção às minúcias e extraordinária capacidade de criação de personagens e situações, A revolução dos bichos combina de maneira feliz duas ricas tradições literárias: a das fábulas morais, que remontam a Esopo, e a da sátira política, que teve talvez em Jonathan Swift seu representante máximo.  

  • Fahrenheit 451 - Ray Bradbury
Imagine uma época em que os livro configurem uma ameaça ao sistema, uma sociedade onde eles são absolutamente proibidos. Para exterminá-los, basta chamar os bombeiros - profissionais que outrora se dedicavam à extinção de incêndios, mas que agora são os responsáveis pela manutenção da ordem, queimando publicações e impedindo que o conhecimento se dissemine como praga. Para coroar a alienação em que vive essa nova sociedade, anestesiada por informações triviais, as casas são dotadas de televisores que ocupam paredes inteiras de cômodos, e exibem "famílias" com as quais se podem dialogar, como se estas fossem de fato reais. Este é o cenário em que vive Guy Montag, bombeiro que atravessa séria crise ideológica. Sua esposa passa o dia entretida com seus "parentes televisivos", enquanto ele trabalha arduamente para comprar-lhe a tão sonhada quarta parede de TV. Sua vida vazia é transformada, porém, quando ele conhece a vizinha Clarisse, uma adolescente que reflete sobre o mundo à sua volta e que o instiga a fazer o mesmo. O sumiço misterioso de Clarisse leva Montag a se rebelar contra a política estabelecida, e ele passa a esconder livros em sua própria casa. Denunciado por sua ousadia, é obrigado a mudar de tática e a buscar aliados na luta pela preservação do pensamento e da memória. "Fahrenheit 451" é não só uma crítica à repressão política mas também à superficialidade da era da imagem, sintomática do século XX e que ainda parece não esmorecer.
  • Laranja Mecânica - Anthony Burgess
Narrada pelo protagonista, o adolescente Alex, esta brilhante e perturbadora história cria uma sociedade futurista em que a violência atinge proporções gigantescas e provoca uma reposta igualmente agressiva de um governo totalitário. A estranha linguagem utilizada por Alex - soberbamente engendrada pelo autor - empresta uma dimensão quase lírica ao texto. Ao lado de "1984", de George Orwell, e "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley, "Laranja Mecânica" é um dos ícones literários da alienação pós-industrial que caracterizou o século XX. Adaptado com maestria para o cinema em 1972 por Stanley Kubrick, é uma obra marcante: depois da sua leitura, você jamais será o mesmo.
  • Jogos Vorazes - Suzanne Collins
Após o fim da América do Norte, uma nova nação chamada Panem surge. Formada por doze distritos, é comandada com mão de ferro pela Capital. Uma das formas com que demonstram seu poder sobre o resto do carente país é com Jogos Vorazes, uma competição anual transmitida ao vivo pela televisão, em que um garoto e uma garota de doze a dezoito anos de cada distrito são selecionados e obrigados a lutar até a morte! Para evitar que sua irmã seja a mais nova vítima do programa, Katniss se oferece para participar em seu lugar. Vinda do empobrecido distrito 12, ela sabe como sobreviver em um ambiente hostil. Peeta, um garoto que ajudou sua família no passado, também foi selecionado. Caso vença, terá fama e fortuna. Se perder, morre. Mas para ganhar a competição, será preciso muito mais do que habilidade. Até onde Katniss estará disposta a ir para ser vitoriosa nos Jogos Vorazes?

  • Caminhos de Sangue - Moira Young
Saba passou a vida inteira na Lagoa da Prata, uma imensidão de terra desértica assolada por constantes tempestades de areia. O lugar não a incomoda, contanto que o irmão gêmeo, Lugh, esteja por perto. Quando, porém, uma gigantesca tempestade chega trazendo quatro cavaleiros de mantos negros em seu rastro, a vida que Saba conhece chega ao fim: Lugh é raptado e ela tem que embarcar em uma perigosa jornada para resgatá-lo. Repentinamente jogada na realidade selvagem e sem lei do mundo além da Lagoa da Prata, Saba não consegue pensar no que fazer sem Lugh para guiá-la. Por isso, talvez a maior surpresa seja o que descobre sobre si mesma: é uma lutadora incansável, uma sobrevivente feroz e uma oponente perspicaz. Com a ajuda de um audacioso e atraente fugitivo e de uma gangue de garotas revolucionárias, Saba se torna a protagonista de um confronto que vai mudar o destino de sua civilização. Com ritmo arrasador, ação constante e uma história de amor épica, Caminhos de sangue é uma aventura grandiosa ambientada em um mundo futurista e violento.
A literatura distópica costuma apresentar pelo menos alguns dos seguintes traços:
  • Tem conteúdo moral, projetando o modo como os nossos dilemas morais presentes figurariam no futuro;
  • Oferecem crítica social e apresentam as simpatias políticas do autor;
  • Exploram a estupidez coletiva;
  • O poder é mantido por uma elite, mediante a somatização e consequente alívio de certas carências e privações do indivíduo;
  • Discurso pessimista, raramente "flertando" com a esperança;
Bem, gente, é isso. Espero que tenham gostado!
Post escrito por Samantha M.
 do blog Word In My Bag.

5 comentários:

  1. ahahahah morri quando a pessoa respondeu!!! Normalmente quem fala assim é porque não é maior fã de ler ou que não vai a muitos blogs!!

    Amo distopia é super bom..

    Bjs

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  2. Samantha!
    O tema realmente é interessante e os livros distópicos nos levam a uma maior reflexão, nos faz pensar sobre determinado assunto e coloca a mente para o raciocínio.

    Passando para desejar um início de mes saudável e produtivo, carregado de boas vibrações e um feriAdo alegre e feliz!
    Carinho não tem preço, doe-se.
    Blogueiras Unidas 1275!
    Luz e paz!
    Cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com/

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  3. Excelente post e muito esclarecedor, já que Distopia está sendo a palavra da vez em todo lugar, desde a estréia de Jogos Vorazes, vem sendo usada com maior frequência, e até em temas que não têm nenhuma ligação.
    O pessoal acha a palavra bonita e começa a usar.
    Seria bom ler este texto, ia ajudar bastante.
    Bjos!!

    Cida

    Moonlight Books

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  4. Até um tempo atrás eu não sabia do que se tratava a literatura distópica! Quando soube o que era descobri que sou fã! hehe Tem também a série Feios, não é? Tenho bastante curiosidade em conhecer mais livros distópicos!
    Beijos

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  5. Amo distopias!! Dessa lista só li Admirável mundo Novo, mas a minha favorita não está ai: "cronicas Marcianas" do Ray Bradbury, quero ler Fahrenheit 451 dele também <3

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