08 julho 2016

{Resenha} Os Bons Segredos - Sarah Dessen

Os Bons Segredos
Nome do livro: Os Bons Segredos
Autor(a): Sarah Dessen
Editora: Seguinte
Nº de Pág: 403
Classificação: 
Sinopse: Há segredos muito bons para serem guardados — e livros muito bons para serem esquecidos. Sydney sempre viveu à sombra do irmão mais velho, o queridinho da família. Até que ele causa um acidente por dirigir bêbado, deixando um garoto paraplégico, e vai parar na prisão. Sem a referência do irmão, a garota muda de escola e passa a questionar seu papel dentro da família e no mundo. Então ela conhece os Chatham. Inserida no círculo caótico e acolhedor dessa família, Sydney pela primeira vez encontra pessoas que finalmente parecem enxergá-la de verdade. Com uma série de personagens inesquecíveis e descrições gastronômicas de dar água na boca, Os bons segredos conta a história de uma garota que tenta encontrar seu lugar no mundo e acaba descobrindo a amizade, o amor e uma nova família no caminho.
Sidney é uma garota de 16 anos que passou sua vida inteira à sombra de seu irmão mais velho, o qual desde pequeno sempre recebeu todas as atenções, primeiro em virtude de sua beleza, depois, já maior, por sua coragem e audácia e na adolescência, pelos problemas de comportamento que o levaram diversas vezes à prisão.

Acostumado com a idéia de que seus pais sempre resolveriam qualquer situação, ele não viu o menor problema em voltar dirigindo bêbado de uma festa. O que ele não esperava era que naquele momento, outro adolescente voltava para casa de bicicleta, em plena madrugada, nem que ele seria o responsável por deixar o garoto paraplégico, para sempre.

Condenado e cumprindo 17 meses de prisão, Peyton continuava a ter cem por cento da atenção de sua mãe, que não se cansava de inventar desculpas para o comportamento do filho, e de seu pai que estava sempre ausente, e não ousava divergir de sua esposa. Sidney estava sempre em segundo plano, se sentindo invisível e negligenciada. Precisando sair desse círculo de pessoas que conheciam essa situação e que a julgavam apenas com os olhares e sussurros, Sidney se matriculou em uma escola menos conceituada, onde puderia ser ela mesma, ou seja, invisível.

Mas para sua surpresa, lá ela conheceu Layla, Mac, e consequentemente toda a família Chatham, proprietários da pizzaria Seaside e moradores de um bairro menos abastado. Diferente de tudo que a garota entendia por família, os Chatham acabaram por fazer Sidney se sentir visível, que seus pensamentos e sentimentos eram importantes de forma a fazer com que ela não soubesse mais viver de outra maneira.

Ainda havia Ames, um jovem completamente estranho que se aproximara da família de Sidney e que, por não discordar da mãe dela, ganhou total e irrestrito acesso à casa e mais confiança que a própria garota. Cheio de segundas e obscuras intenções, ele estava sempre em seu caminho, se intrometendo e causando mais problemas na vida dela.

Sarah Dessen nos apresenta uma pequena história que cresce a cada capítulo, que acrescenta subtemas a cada virada de página, com uma protagonista que cresce nitidamente na trama, com personagens secundários fundamentais ao desenvolvimento da história e com antagonistas que cumprem tão bem o seu papel que despertam sentimentos reais e terríveis no leitor. Uma experiência incrível e peculiar em um livro que merece lugar cativo em minha estante.

Sidney carrega a culpa por David Ibarra viver em uma cadeira de rodas, e se sente ainda pior devido ao fato de que, ninguém em sua casa é capaz de pensar ou enfrentar as consequencias do acidente causado por Peyton, nem de ao menos pensar em David como uma vítima que carregaria para sempre as cicatrizes de uma atitude inconsequente. Julie é o tipo de personagem que te faz querer entrar no livro e chacoalhar eternamente em busca de atitudes coerentes.

Sinceramente eu não imaginei que mesmo com mais de 30 anos eu me identificaria tanto com uma personagem adolescente, de novo. Mas depois de um começo arrastado e com o foco maior em Sidney, em seus pensamentos, sentimentos, eu consegui me identificar muito com essa personagem.

Foi uma leitura sofrida. Eu sofria quando estava lendo, sofria quando tinha que parar de ler e o pior, sofria de forma a me sentir mal, de verdade, com as situações narradas. Cheguei ao ponto de, em uma pausa necessária, me pegar sentindo que fiz alguma coisa errada, quando na verdade era exatamente este o sentimento da personagem.

O crescimento de Sidney como pessoa foi nítido, progressivo, necessário e lindo. Chorei em vários momentos, principalmente durante as conversas dela com a Sra. Chatham. Me vi ali, adolescente, me abrindo mais com uma pessoa estranha, do que dentro da minha propria casa. Me vi ali lutando em vão tentando mostrar que as atitudes de meu irmão não eram louváveis, me vi ali lutando para ser vista, para ser motivo de orgulho nem que fosse por apenas um segundo, lutando para me desfazer das justificativas de que eu era menina, ele era menino e isso mudava tudo. Me vi Sidney, eu era a Sidney.

Quase no fim do livro alguns acontecimentos fizeram com que a protagonista enxergasse as coisas de uma forma diferente, não só pela chance que ela deu de as coisas se apresentarem assim, quanto por seu amadurecimento na trama. Tomamos algumas verdades para si e esquecemos de nos colocar no lugar do outro, de ver a responsabilidade que cada um carrega dentro de si e o peso que isso tem.

Entretanto, apesar de Sidney ser uma boa protagonista, Layla e Mac brilharam de tal forma que o livro se tornaria enfadonho sem suas presenças. Layla se mostrou uma amiga de verdade mesmo sendo a mais improvável escolha que Sidney faria. Mac é um exemplo de superação com o problema da obesidade e da aversão da sociedade com pessoas gordas. À Família Chatham como um todo que mesmo sem tanto dinheiro, mesmo com os problemas sérios de saúde da Sra. Chatham são unidos, respeitáveis e perfeitos com toda sua imperfeição. Felizes, de verdade.

O livro abordou tantos subtemas que eu seria capaz de ficar um dia inteiro aqui falando desse livro, incansávelmente. E confesso, a cada frase que escrevo, o amo mais do que quando terminei a ultima página.

Minha única crítica é tão pessoal que chega a se tornar uma mera observação ou desejo. Desejo de mais páginas, rs. O final foi meio corrido, parecendo fim de novela quando o narrador conta rapida e superficialmente como está a vida de cada personagem. Para um livro que teve mais de 300 páginas para contar sua história, definir o destino de cada personagem em apenas um curto capítulo se tornou um pecado. Sim, terminei querendo mais, mais de "Os Bons Segredos" e mais de Sarah Dessen.

Um comentário:

  1. é uma leitora que desperta sensações, Chrys dá pra sentir isso a sua forma de narrar
    desperta uma certa curiosidade
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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