11 abril 2013

Nham-Nham # 27 - Espelho, espelho nosso

Espelho, espelho nosso - Encontros e desencontros refletidos em contos de fadas e mitos


Um dos lançamentos do ano que ficou meio que escondido foi o do livro do alemão Hans Jellouschek. Confesso que somente o conheci através de uma reportagem no site do canal gnt e fiquei encantada com a matéria abordada por este livro.

Encontrado na seção de psicologia, em Espelho espelho meu, o psicoterapeuta alemão Hans Jellouscjek afirma que os contos de fadas não são apenas histórias infantis. Através da análise dessas histórias é possível também entender melhor a dinâmica de um casal.

O intuito do autor é mostrar que as narrativas tradicionais dos contos de fadas funcionam como espelhos em que os casais atuais devem se mirar, procurando reconhecer seus problemas e detectar oportunidades de crescimento.

Hans Jellouschek formou-se em filosofia e doutorou-se em teologia. É consultor matrimonial, psicoterapeuta e terapeuta pedagógico especializado em análise transacional. Ele atende em seu consultório nas imediações de Stuttgart, na Alemanha, e trabalha com ênfase em terapia de casais. Com os anos de experiência, o especialista viu em seus pacientes o 'espelho 'de personagens de alguns contos de fadas famosos.

A reportagem trouxe ainda, algumas análises e comparações realizadas pelo terapeuta em seu livro:

Casal 'João e Maria'


Para Jellouschek, entra nessa categoria o casal de jovens que, ainda muito novos, são como duas crianças que se perderam, não conseguem lidar com as questões do dia a dia e sentem-se frustrados com a vida a dois. Ele tem a sensação de estar em uma jaula e ela, de ser obrigada a prestar trabalhos forçados.No conto, não se trata de um casal de namorados, mas, sim, de irmãos. O que o autor compara, nesse sentido, é que ambos, ele e ela, vieram de uma mesma estrutura familiar e se casaram para fugir dela. O conselho do terapeuta é que os dois se livrem das próprias fantasias, aceitem as crises e atravesse-as com determinação e iniciativa, de modo constante no relacionamento.



Casal 'A Bela e a Fera'

Não, não estamos falando de um casal onde a aparência é o traço comparativo. Estamos falando do que o amor de uma mulher pode ou não causar. O homem desajeitado em assuntos de relacionamento, que por amor a uma linda mulher, se aprimora e se transforma em príncipe. Essa imagem fascinante continua a rondar a cabeça de homens e mulheres. Como tal “processo de aprimoramento” pode, de fato, acontecer, e apenas reciprocamente, é o que nos mostra a versão original desse conto de fadas, chamado "Amor e Psique".


Casal 'Orfeu e Eurídice'


O rapaz fez de tudo para conquistar a mulher, transformando-se em um homem maravilhoso para ela. Ela própria aproveitou e desfrutou desse esplendor de ser tão adorada, por isso, disse “sim”. Contudo, ao mesmo tempo, não percebeu que ele não estava pensando exatamente nela. Por uma profunda necessidade própria, ele precisava dela, transformando-a em sua propriedade. Diga se a história de "Orfeu e Eurídice" não poderia ser daquele casal vizinho?



Quando ela descobre que era apenas um troféu, seu amor acaba, e ele, por sua vez, se dá conta do erro que cometeu. No período da paixão, tudo corre bem, porque ela se sente muito importante para ele. Porém, com o passar do tempo, percebe que o foco da atenção nunca está nela, mas sempre nele. Sentem-se cada vez mais exploradas, expropriadas, e percebem, então, que têm de se distanciar para não se perderem por completo. Quem já viu coisa parecida entre os amigos, na família ou entre as suas próprias experiências, levanta a mão!


Casal 'Otelo e Desdêmona'

Aqui, o ciúme impera. Otelo e Desdêmona, de Shakespeare, trata de quando o ciúme destrói o amor e quando o protege e o reanima. Antigamente, o ciúme fazia parte do amor. Em alguns países, ainda é assim. No ciúme que Otelo sente de Desdêmona, vê-se de que maneira esse sentimento se torna destrutivo e, ao contrário, quando ele pode ser uma reação sentimental natural e até útil ao amor. O que podemos aprender com Otelo e Desdêmona sobre ciúme e amor? O ciúme tem alto poder de destruição. E que, no caso do conto de Shakespeare, acabou em tragédia. Mas será que funciona? É possível o amor entre um homem e uma mulher dar certo sem ciúme? Dá para não despertar ciúme quando os sentimentos se voltam para uma terceira pessoa? Certamente, esse “jogo” não é totalmente inofensivo. Às vezes, porém, pode ser muito saudável, dando um novo ânimo ao amor.

Casal 'Merlin e Viviane'

Como um homem mais velho e uma mulher bem mais jovem podem ser felizes juntos? 'Merlin e Viviane' dá uma ótima lição. “Isso não pode dar certo – o velho e essa moça!”. Assim julga quem vê de fora e isso pode afetar o coração e a mente dos envolvidos. Obviamente, uma diferença muito grande de idade entre os parceiros traz consigo problemas específicos. Cada um não se sente “merecedor” da doação do outro em razão de sua riqueza específica. É preciso ativar muita autoestima dentro de si para sentir-se merecedor de tal doação. Merlin e Viviane, casal um tanto excêntrico da antiga saga celta, nos ensinam que, apesar de tudo, esse relacionamento pode dar certo e até ter seu charme. A única questão é aceitar o que o outro tem para dar, sem culpa ou 'cerimônia'. O amor só flui quando ambas as coisas funcionam, tanto o dar quanto o receber.

Fantástico não é?! Eu queroooo

Beijos





15 comentários:

  1. Achei bem interessante o post, confesso.
    Interessante esse último casal, meu namorido é apenas um ano mais velho que eu, e eu me relacionei uma vez com um homem mais velho, mas não rolou pq eu não aceitava certas coisas e nem ele.
    Acho que cada um vive o que quer da maneira que quer, sem se preocupar com os julgamentos idiotas da sociedade.

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  2. achei bem bacana essa meio que elucidação dos casais famosos da literatura e cinema traduzido para as relações atuais e eu creio que o livro deve ser muito bacna, eu ia gostar de ler com certeza

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  3. Nooooooooossa, que demais! É a 1ª vez que leio algo sobre esse livro e já estou com muita vontade de lê-lo, parece ser bem legal! Continue nos informando sobre ele!!! HAHA
    Abraços!

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  4. Bacana mesmo esse livro que você falou no começo, não tinha visto ainda. Ah, e dos casais? Adorei! Amo o A Bela e a Fera, sério, é o que mais adoro dos contos de fadas. Tão lindinho *-*
    Ficou legal esse post.

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  5. Interessante o post !!
    Gostei do livro que você falou no começo, o nome é bem sugestivo e a capa também :)

    Beijos,
    http://www.segredosentreamigas.com/

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  6. Não conhecia o livro também. Achei muito interessante a associação que ele fez dos contos com os tipos de casais, conheço muitos que se encaixam nessas "categorias".

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  7. Gostei muito desse livro, interessante a forma como o autor analisou.
    Mas o que me agradou mesmo foi a capa, linda.

    Beijos
    Leituras da Paty

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  8. Acho que esse é dos poucos blogs que devem ter falado desse livro pois é a primeira vez que o vejo. Achei muito interessante a ideia do psicoterapeuta, eu queria muito ler.
    Greice.

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  9. Não foi tão atraente para mim assim. A Bela e a Fera é clássico. Já li e reli diversas vezes.

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  10. Adorei! Gosto muito de análises dos arquétipos masculino e feminino e de como esses (des)encontros se dão nas relações. Quero ler e identificar que tipo de casal eu e meu amado somos.

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  11. Que fantástico este livro!! Vou procura-lo para comprar um.

    Adorei a premissa e quero saber o que psicoterapeuta tem a dizer sobre esses casais.

    ;)

    http://pseudonimoliterario.blogspot.com.br/

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  12. Gosto bastante dessas análises psicanalíticas! Por coincidência, meu professor estava falando nesse assunto semana passada! ;)
    Gostei do livro!

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  13. Muito interessante as análise que o autor fez de cada conto eu nunca tinha pensado desse jeito, o livro dele deve ser bem interessante,eu vou pesquisar mais sobre e ver o que mais de surpreendente esse autor pode nos revelar.

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  14. Olha ate que eu gostei.. a analise dele me interessou..

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  15. Que livro mais interessante heim!
    Não conhecia "Espelho, espelho nosso" e fiquei muito curiosa.
    Os exemplos citados estão bem embasados e o autor não viajou para criá-los, realmente se encaixam em vários casais que conheço...

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